Quantas primaveras tenho visto passar sem ao menos com elas sorrir, estando mergulhado em uma profunda agonia que atormenta e machuca, por vezes sabendo porque, mas sem ter muito a fazer. Um sorriso abafado no canto da boca, um choro contido sem saber. Querendo chorar, entretanto, sorrindo para ninguém perceber. Como poderia caminhar com está dor que teima, como poderia sorrir se quando sorrindo lágrimas saem dos meus olhos com sua teimosia de rolar.
A primavera chegou trazendo com ela as cores que os meus olhos não querem contemplar, ou não podem. Continuo buscando, muitas vezes com frieza a crueldade de viver, me alimentando de um doce veneno que mantém a vida, matando todo dia um pouco. Nas sombrias noites que tenho dormido, poderia ouvir o som de voz que gritam, sem saber a quem, pedindo socorro aos surdos. Que assim se fazem para não ter que ajudar e fadigar.
Quem são tais pessoas, loucas por si só, buscando viver em um lugar onde há morte está, buscando entender coisas que não se podem tocar. Insanidade é o que temos para tomar e a cada dia temos nos perdido em uma busca sem fim e que não sabemos jamais onde vamos parar. Dia ou noite? Que diferença faz? Primavera ou Verão? Disso já não se fala mais. São dores que se acumulam, como se acumulam os dias de nossas vidas, são feridas que doem de uma forma tão constante que se confundem com tudo, que se confundem com nada.
Que vivem confundidas entre si, morrendo e fazendo morrer a primavera de vidas e vidas que por não conseguirem mais enxergar perdem um espetáculo impar de cores e sensações que talvez demore demais a se repetir, que talvez não volte mais por aqui. São as primaveras de nossas vidas que nos fazem vibrar, são estas mesmas que nos fazem chorar com a saudade que nos causam suas lembranças.
Por Fábio Gomes – 07/01/09 – 12:30
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
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